
O Senhor dos Anéis: análise sobre dever, poder e irmandade
Na terceira análise, saio das distopias de Orwell e entro na fantasia de J.R.R. Tolkien com a trilogia O Senhor dos Anéis. A história fala de poder, corrupção e sacrifício e é dividida em A Sociedade do Anel, As Duas Torres e O Retorno do Rei.
O centro da saga, para mim, é o dever. Frodo não é um guerreiro nem busca glória. Ele aceita uma missão com pouca chance de sucesso e segue em frente mesmo quando o corpo já não aguenta. A caminhada até Mordor cobra resistência e resiliência.
A obra também fala de camaradagem. Cada integrante da Sociedade do Anel tem uma habilidade e uma função. Quando o grupo se divide em As Duas Torres, a confiança construída no começo permite que continuem em frentes separadas, com o mesmo objetivo.
O Um Anel retoma a questão da corrupção pelo poder. Como em A Revolução dos Bichos, o poder absoluto é uma tentação. Boromir acredita que pode usar uma ferramenta de dominação para fazer o bem. No fim, carregar o fardo sem ser consumido por ele exige disciplina.
“Eu queria que isso não tivesse acontecido no meu tempo”, disse Frodo.
“Eu também”, disse Gandalf, “e o mesmo desejam todos os que vivem para ver essas épocas. Mas a decisão não é nossa. Tudo o que temos de decidir é o que fazer com o tempo que nos é dado.”
Também gosto do trecho em que Frodo questiona Gandalf sobre Bilbo ter poupado Gollum. Gandalf responde:
“Muitos que vivem merecem a morte. E alguns que morrem merecem viver. Você pode dar-lhes a vida? Então não seja tão ávido para julgar e condenar alguém à morte. Pois mesmo os muitos sábios não conseguem ver os dois lados.”
O papel de Gollum no fim da saga dá peso a esse diálogo. Ninguém consegue se desligar do anel por conta própria, e a bondade de Bilbo acaba tendo consequências.
“A piedade de Bilbo pode governar o destino de muitos.”