Lição 02: A Engenharia da Organização (Como Organizar Sua Vida Financeira)


Através das leituras anteriores estabelecemos que o dinheiro precisa fluir para a coluna de ativos e que uma parte de tudo o que você ganha deve ser retida. No entanto, a execução tática disso esbarra em um problema comum: a falta de organização.

Essa leitura me fez atribuir a devida atenção à organização das finanças e o mapeamento dos gastos, esforçando-me constantemente a lançar os gastos em planilha para manter o controle.

Se fosse para resumir: organização e disciplina são mais importantes do que grandes ganhos.

O Mapeamento das Variáveis

Você não pode otimizar aquilo que não consegue medir. O descontrole financeiro não se resume a gastar mais do que devia, mas também a gastar de maneira cega. Cerbasi categoriza muito bem essa frente, separando os nossos custos em dois blocos que precisam ser mapeados com rigor:

  • Despesas Fixas: Não é apenas a conta de luz do mês. São todos os gastos que se repetem por três meses ou mais, além daqueles que têm periodicidade certa no ano, como IPVA, IPTU e anuidades de cartões ou conselhos.
  • Despesas Eventuais: É aqui que o orçamento da maioria das pessoas quebra. São as manutenções do carro, os reparos na casa, consultas médicas não previstas e até mesmo presentes.

Se você não tem previsibilidade sobre as despesas eventuais, o seu planejamento financeiro é apenas um olhar para o passado.

Gestão de Risco: PMS e PMR

Para quem gosta de atuar com margens de segurança, a parte mais valiosa do livro é a estruturação das reservas. Cerbasi divide a famosa “reserva de emergência” em dois níveis estratégicos.

A primeira linha de defesa é o Patrimônio Mínimo de Sobrevivência (PMS). Nas palavras do próprio Cerbasi:

“O patrimônio mínimo de sobrevivência (PMS) é aquele que você precisa ter para simplesmente poder reorganizar sua vida em caso de desemprego, doença ou planos frustrados em sua atividade de negócios. É com essa reserva que você manterá seu padrão de consumo até que as coisas se normalizem.”

A segunda linha de defesa é o Patrimônio Mínimo de Reserva (PMR), que funciona como o alvo matemático da sua paz de espírito. Como pontua o autor:

“O patrimônio mínimo de reserva (PMR) deve ser uma reserva financeira equivalente a 12 vezes o consumo mensal de sua família, caso você esteja numa situação de emprego estável. Autônomos, assalariados sem vínculo empregatício e profissionais com reduzida empregabilidade deveriam ter um PMR equivalente a 20 vezes seu consumo familiar.”

Profissionais do serviço público ou militares podem operar com tranquilidade na faixa de 12 meses, enquanto quem atua na iniciativa privada de alta rotatividade ou empreende precisa de um “fôlego” de 20 meses.

Estratégia adequada para o meu perfil de renda

O livro aborda uma questão importante: montar o planejamento financeiro adequado para o seu perfil financeiro. O que isso quer dizer? Caso você seja um profissional cuja renda é extremamente variável você deve traçar uma renda mínima que recebe mensalmente e uma renda média, além de analisar se existe uma sazonalidade na sua entrada de capital para planejar-se de acordo com esses aspectos.

O Preço da Indisciplina

“Uma vida financeira repleta de dívidas faz com que você conquiste muito menos sonhos do que conquistaria com planejamento e disciplina.”

Para mim, a conclusão óbvia dessa leitura é que a riqueza não é fruto de lances de sorte, mas de execução fria e repetitiva. O seu orçamento precisa ser tratado como um protocolo a ser seguido. E um protocolo bem desenhado não depende de motivação, apenas de disciplina para ser cumprido.


Próxima leitura: Investimentos inteligentes